Como o café e o futebol, o violão está indissociavelmente ligado a uma visão sócio-cultural do Brasil, e nossa identidade musical é impensável sem a sua presença. E não é para menos.Instrumentos da família do violão foram já trazidos pelos jesuítas e usados na catequese. Dessa forma, desde o primeiro encontro que define nossa identidade cultural, o violão está presente. Os instrumentos trazidos pelos jesuítas provavelmente foram as vihuelas, alaúdes e violas - as quais, simplificadas, tornaram-se guitarras barrocas - que, levadas ao interior do país pelos bandeirantes, foram adotadas como o instrumento folclórico nacional por excelência: a viola caipira.
BG - Viola
Isto, conjugado à marcada diferença cultural entre as classes sociais no período imperial, estigmatizou o violão - como acontecia na Espanha - como o instrumento do populacho, dos capadócios e da marginalidade, em oposição ao piano, que realizava um ideal de bom tom das famílias urbanas mais abastadas.
Até a metade do séc. XIX há uma certa confusão entre a viola e o violão, mas depois de 1850 já fica clara a diferença entre a viola, um instrumento tipicamente sertanejo, e o violão, ou a guitarra francesa (como era chamada nos métodos à venda no Rio de Janeiro), instrumento favorecido no acompanhamento do cancioneiro popular de tradição urbana.
BG violão
O violão também foi adotado como baixo-contínuo dos incipientes grupos de choro. Os primeiros defensores sérios do violão como instrumento de concerto, como o engenheiro Clementino Lisboa, o desembargador Itabaiana e o professor Alfredo Imenes, heroicamente se sujeitaram ao ridículo público ao se apresentarem, por exemplo, no Clube Mozart, centro musical da elite carioca.
Bg sobe
Os primeiros concertos de violão solo documentados no país foram oferecidos pelo violonista cubano Gil Orozco em 1904 e não chegaram a atrair muita atenção. O violão como instrumento de concerto no Brasil tem até data de nascimento: maio de 1916, quando o crítico do jornal O Estado de São Paulo ouviu e se rendeu à arte do virtuose e compositor paraguaio Agustín Barrios (1885-1944), que residiu no Brasil em decorrência de seu sucesso. Meses depois, apresentou-se no Conservatório Dramático e Musical, com notável êxito, aquele que podemos apontar como o primeiro concertista brasileiro; ele não sabia ler música e tocava com o violão invertido, mas com as cordas em posição normal: Américo Jacomino, o "Canhoto" (1889-1928).
Fita Canhoto
Abismo de rosas? C.3'
Como vemos, talvez surpreendentemente, o violão como instrumento de concerto ainda não completou 100 anos no Brasil, o que faz da vulcânica personalidade de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) um fenômeno ainda mais singular. As contingências sócio-culturais fizeram com que seu instrumento público fosse o violoncelo e que o violão fosse somente um laboratório de fundo-de-quintal, que ele utilizava para penetrar nas rodas de choro. Seria absolutamente impensável a realização desta obra, um divisor de águas na história do violão, dentro do contexto acanhado no Brasil dos anos 20.
Cd Villa-Lobos
V-Lobos choros no.1
A distinção entre o violão de concerto e o violão popular foi gradualmente se acentuando nos anos 1930, 40 e 50 e alguns dos músicos de maior visibilidade construíram quase que a totalidade de suas carreiras à sombra da Era do Rádio. Um dos mais importantes foi Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto
CD Garoto FX 6
Tristezas de um violão
[desanúncio e comentário] Um colega de Garoto, que chegou a fazer duo com ele e mais tarde fixou-se como jazzista nos EUA foi Laurindo de Almeida. [comentar Laurindo]
Fita Laurindo
Por um lado, o rádio enfraqueceu as distinções de classe através do gosto musical e transformou-as numa massa indistinta chamada "ouvinte", disposta a ouvir o violão sem preconceitos; em 1928, o interesse pelo instrumento é vasto o suficiente para o surgimento de uma revista, "O Violão", no Rio de Janeiro. E o rei do violão na Era do Rádio foi Dilermando Reis (comentar Dilermando, ra´dio, seresta, Juscelino)
Dilermando
Lp Gnatalli?? Ou fita abismo de rosas?
Por outro, ainda faltava uma metodologia que permitisse o surgimento de um número significativo de concertistas de violão que preenchessem um vazio só ocasionalmente quebrado por raras visitas de artistas internacionais como Regino Sainz de la Maza, Andrés Segovia (a partir de 1937) e Abel Carlevaro (nos anos 40).
O desenvolvimento desta metodologia veio com o uruguaio Isaías Sávio (1902-1977), que se estabeleceu em São Paulo nos anos 30. Sávio foi um concertista de modestos recursos, mas um devotado professor e autor de mais de 100 peças originais para violão, algumas das quais, como a Batucada das Cenas Brasileiras, perduram no repertório. Ele teve um papel considerável na promoção do violão dentro do establishment musical do país, publicou dezenas de métodos e arranjos, e formou gerações de violonistas que prontamente se estabeleceram como professores em outras capitais, com destaque para Antonio Rebello (1902-1965) no Rio de Janeiro. A Sávio também devemos a criação do curso oficial de violão nos conservatórios e, pouco antes de falecer, nas universidades.
Fita Sávio
Escuta Coração ou Sonha Iaiá
Sávio teve a sensibilidade de ver a afinidade do violão com a alma brasileira e confirmar o violão como uma ponte ideal da transição entre a formação clássica e a música popular de qualidade. Entre seus alunos contamos não só com Barbosa Lima e Antonio Rebello, mas também Luís Bonfá e Toquinho. Os anos 60 e 70 marcam não só uma extraordinária expansão do ensino do violão popular com o advento da bossa-nova, mas também a consolidação da carreira internacional de uma geração: Carlos Barbosa Lima (n.1944), Turíbio Santos (n.1940), Sérgio (n.1948) e Eduardo Abreu (n.1949), Sérgio (n.1952) e Odair Assad (n.1956). Uma outra violonista brasileira que teve expressiva carreira no exterior e hoje é catedrática de violão no conservatório de Genebra é Maria Lívia São Marcos.
LP Maria Lívia
Um outro violonista brasileiro de enormes recursos foi Geraldo Ribeiro (comentar).
Cd Geraldo
Barrios
Um fenômeno, pois não outra forma de chamá-los, foram os Índios Tabajaras (comentar).
LP Índios
Chopin Fantasia
A popularidade de Dilermando Reis e a bossa nova foram um fator crucial na divulgação do violão no Brasil. Nos anos 60 o violão era uma verdadeira febre, e o violonista que define o papel do violão nos novos movimentos musicais, absorvendo a harmonia da bossa nova e uma vigorosa pegada derivada dos ritmos africanos, e que, para muitos, define o som do violão brasileiro é Baden Powell (comentar).
LP Baden?
O ensino do violão no Brasil, depois de Sávio, profissionalizou-se. Hoje é presente em conservatórios, faculdades, etc. No Rio de Janeiro, um dos professores que mais formaram alunos de sucesso foi Jodacil Damaceno.
CD Jodacil.
Em São Paulo, este papel coube a Henrique Pinto. É incalculável a contribuição de Henrique etc. (comentar0
LP Trio op.12
Extremo ortodoxo
Mini CD Rafael ou CD
Era do CD. Benefícios de inteligência musical e qualidade administrativa
CD Quaternaglia
fonte: Fabio Zanon - Arte do Violão
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
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